terça-feira, 15 de setembro de 2026

 

Durante o cancro continua a ser preciso cortar a barba e escolher o soutien certo. “Cuidarmos de nós é uma forma de cura” 
Francisco, Inês e Sandra são três dos mais de 25 mil utentes no país acompanhados pela Liga Portuguesa Contra o Cancro. OMS alerta que uma em cada cinco pessoas pode vir a ter cancro.


 Durante o cancro continua a ser preciso cortar a barba e escolher o soutien certo. “Cuidarmos de nós é uma forma de cura” Os olhares flutuam entre o telemóvel, o tecto, o grande ecrã que vai contando os números das senhas. Às vezes demoram-se por segundos nos rostos das pessoas que também esperam naquela sala, com cadeiras pretas todas viradas para a mesma parede, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. Francisco Vilhena, 45 anos, já perdeu a conta às vezes a que ali voltou neste último ano e meio. Apesar de ser Agosto, lá fora, o dia é chuvoso e o Sol está encoberto. Do lado de dentro, há janelas abertas que deixam entrar alguma da brisa matinal. Francisco está a poucas horas de saber o resultado da sua última ressonância. Depois de em Novembro o corpo se ter ressentido com os efeitos da quimioterapia, a equipa médica teve de pôr um travão aos ciclos mensais do tratamento. Em Abril último, mais de um ano após retirar um tumor no cérebro, “o cancro voltou a aparecer” e foi preciso reiniciar a quimioterapia. O diagnóstico: glioblastoma de grau IV, um cancro cerebral sem cura “muito agressivo e grave”, assim o descreveram os médicos em Fevereiro de 2025.
 Daniela Carmo (texto)

 

Os Sigur Rós fizeram do Coliseu do Porto uma supernova em câmara lenta.

Com a Sinfonietta de Lisboa e o Coro Ricercare, os islandeses transformaram o Coliseu do Porto num espaço de silêncio, luz e explosão sonora, levando a sua música atmosférica para outra dimensão. Os Sigur Rós fizeram do Coliseu do Porto uma supernova em câmara lenta Ainda havia burburinho de pessoas a sentarem-se nas cadeiras do hemiciclo do Coliseu do Porto quando as luzes se apagaram, pelas 21h deste domingo. Ouviu-se um "shiuuu" na plateia e, em vez de aplausos, os primeiros acordes do concerto de Sigur Rós foram recebidos com um silêncio espacial. Era Blóðberg, o single de Átta, o disco mais recente da banda islandesa, lançado em 2023. Um crescendo lento das cordas da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, magicamente orquestrado pelo maestro e compositor britânico Robert Ames, ia sendo preenchido, espaçadamente, pela voz etérea do vocalista Jónsi Birgisson — ficou logo claro que, com Sigur Rós, quase nada acontece de repente.
 Catarina Pinho (texto)