domingo, 26 de abril de 2026

 

Vimos-te na marcha do 25 de Abril no Porto. Estás aqui? De cravo na mão, no decote, no bolso, trazido ao peito, atrás da orelha, no cão. Vimos-te sozinha de cartaz ao alto e no meio das amigas a gritar: "25 de Abril sempre. Fascismo nunca mais!" Passámos por ti enquanto celebravas mais um ano em liberdade, no Porto, a falares do que ainda ficou por cumprir. Ouvimos-te cantar: "Se o jogo for outro/ fosse o jogo outro/ e’agora o jogo era outro". Por algum motivo, chamaste a atenção do fotojornalista do PÚBLICO que andou no meio de muitos mil. Agora, estão aqui, em boa companhia.

 

O 25 de Abril “está vivo” e celebra-se de cravo erguido A empunhar cravos, pessoas de todas as idades encheram a Avenida da Liberdade, em Lisboa, e as ruas do Porto. O cravo é o protagonista na rua, em Lisboa, mas também no Porto. Na capital, ao ritmo de duas chaimites, a marcha desce a Avenida da Liberdade rumo ao Rossio. No Porto, descreve a Lusa, milhares de pessoas garantem que “Abril está vivo”. Entre os manifestantes, misturam-se idades, cores, cravos, palavras de ordem e o desejo comum de “fascismo nunca mais”.

sábado, 18 de abril de 2026

96 Decibéis ou como o amor e a empatia podem resgatar a esperança perdida

 Em Coimbra até 26 de Abril, o espectáculo “pós-apocalíptico” junta as companhias Teatrão e Terra Amarela. Com artistas com mobilidade reduzida e surdez, tem música ao vivo dos 5ª Punkada. 

Imaginemos alguém a afogar-se. Intuitivamente, irá esbracejar com toda a força, a respiração crescentemente ofegante, a racionalidade perdida. E o corpo? Irá afundar-se cada vez mais, inevitavelmente. Marco Paiva propõe esta imagem para explicar o que lhe parece fazer cada vez mais falta ao quotidiano corrido da modernidade: “Tranquilidade para, no meio do turbilhão, deixar o corpo flutuar e encontrar alguma racionalidade.” 96 Decibéis, espectáculo que junta o Teatrão e a Terra Amarela e está na Sala Laborinho Lúcio da Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra, até 26 de Abril, é sobre este corpo em busca de um território onde repousar – e, reconhecendo-se, encontrar o seu lugar, na partilha com os outros.
Mariana Correia Pinto(texto)