sábado, 18 de abril de 2026
96 Decibéis ou como o amor e a empatia podem resgatar a esperança perdida
Em Coimbra até 26 de Abril, o espectáculo “pós-apocalíptico” junta as companhias Teatrão e Terra Amarela. Com artistas com mobilidade reduzida e surdez, tem música ao vivo dos 5ª Punkada.
Imaginemos alguém a afogar-se. Intuitivamente, irá esbracejar com toda a força, a respiração crescentemente ofegante, a racionalidade perdida. E o corpo? Irá afundar-se cada vez mais, inevitavelmente. Marco Paiva propõe esta imagem para explicar o que lhe parece fazer cada vez mais falta ao quotidiano corrido da modernidade: “Tranquilidade para, no meio do turbilhão, deixar o corpo flutuar e encontrar alguma racionalidade.” 96 Decibéis, espectáculo que junta o Teatrão e a Terra Amarela e está na Sala Laborinho Lúcio da Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra, até 26 de Abril, é sobre este corpo em busca de um território onde repousar – e, reconhecendo-se, encontrar o seu lugar, na partilha com os outros.
Mariana Correia Pinto(texto)
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Porto: câmara fechou espaços onde viviam 125 pessoas, mas não sabe o que lhes aconteceu Desde o início do mandato, autarquia levou a cabo 10 acções de selagem de sítios insalubres, sobrelotados e que funcionavam como alojamento sem licença. Oposição fala em “humanismo camuflado”. Camilo Soldado (texto)
Hornfuckers: contenção, poesia e punk, por Diana Niepce A plataforma move-se.
Tem amplitudes variáveis que hierarquizam os corpos que a tentam escalar. A grande placa de estética brutalista ergue-se, “gera um sistema que pode ser subvertido, mas obriga a conter os corpos e a um comportamento do sujeito consoante lógicas de dominação e dominador”, diz Diana Niepce, que assume a direcção artística de Hornfuckers.
É um trabalho sobre as coisas que sabemos serem erradas, mas com as quais acabamos por compactuar, “sobre como muitas vezes escolhemos ignorar o que não devia ser ignorado”, explicou a coreógrafa ao Ípsilon. Em Hornfuckers, os intérpretes lutam contra a gravidade, num ambiente pós-apocalíptico, entre contenção, poesia e punk.
Depois da estreia na Culturgest, em Lisboa, a criação de Diana Niepce tem duas apresentações no Porto, no âmbito da programação do festival Dias da Dança. Para ver nesta segunda-feira e na terça-feira, no Teatro Rivoli.
Há que saber reconhecer um Hitler quando o vemos
Isto É um Hitler Genuíno é sobre uma família com um dilema ético (vender ou destruir uma pintura do ditador nazi?), mas é também sobre a facilidade com que relativizamos monstruosidades.
Dois irmãos, Nicola e Philipp, estão a empacotar tudo na casa do pai, recentemente falecido, quando se deparam com uma descoberta improvável: um quadro de uma igreja em Viena pintado por Adolf Hitler quando o futuro ditador e genocida ainda perseguia a ambição de se tornar um artista. Nicola acha que a aguarela “não poderia ser mais kitsch”, mas com o marido, Fabian (que começa a salivar quando a descoberta da assinatura, inicialmente escondida pela moldura, o põe a pensar no valor de mercado provável da pintura), deseja vendê-la. Philipp, alegando querer preservar a memória do pai, sublinha desde logo a vontade de a guardar — para furiosa estupefacção da sua mulher, Judith, que é judia.
Daniel Dias (Texto)
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