terça-feira, 22 de setembro de 2026

 

Andava eu sem ter onde cair vivo Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor Ai de mim não era nada daquilo que eu queria Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar 

Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar Andava eu sozinho a tremer de frio Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer 

 Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar 

 Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura Tens de olhar para fora, sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar E se às duas por três vires que perdeste o balanço Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar 

 Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar
 Compositor: Jorge Palma

terça-feira, 15 de setembro de 2026

 

Durante o cancro continua a ser preciso cortar a barba e escolher o soutien certo. “Cuidarmos de nós é uma forma de cura” 
Francisco, Inês e Sandra são três dos mais de 25 mil utentes no país acompanhados pela Liga Portuguesa Contra o Cancro. OMS alerta que uma em cada cinco pessoas pode vir a ter cancro.


 Durante o cancro continua a ser preciso cortar a barba e escolher o soutien certo. “Cuidarmos de nós é uma forma de cura” Os olhares flutuam entre o telemóvel, o tecto, o grande ecrã que vai contando os números das senhas. Às vezes demoram-se por segundos nos rostos das pessoas que também esperam naquela sala, com cadeiras pretas todas viradas para a mesma parede, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. Francisco Vilhena, 45 anos, já perdeu a conta às vezes a que ali voltou neste último ano e meio. Apesar de ser Agosto, lá fora, o dia é chuvoso e o Sol está encoberto. Do lado de dentro, há janelas abertas que deixam entrar alguma da brisa matinal. Francisco está a poucas horas de saber o resultado da sua última ressonância. Depois de em Novembro o corpo se ter ressentido com os efeitos da quimioterapia, a equipa médica teve de pôr um travão aos ciclos mensais do tratamento. Em Abril último, mais de um ano após retirar um tumor no cérebro, “o cancro voltou a aparecer” e foi preciso reiniciar a quimioterapia. O diagnóstico: glioblastoma de grau IV, um cancro cerebral sem cura “muito agressivo e grave”, assim o descreveram os médicos em Fevereiro de 2025.
 Daniela Carmo (texto)

 

Os Sigur Rós fizeram do Coliseu do Porto uma supernova em câmara lenta.

Com a Sinfonietta de Lisboa e o Coro Ricercare, os islandeses transformaram o Coliseu do Porto num espaço de silêncio, luz e explosão sonora, levando a sua música atmosférica para outra dimensão. Os Sigur Rós fizeram do Coliseu do Porto uma supernova em câmara lenta Ainda havia burburinho de pessoas a sentarem-se nas cadeiras do hemiciclo do Coliseu do Porto quando as luzes se apagaram, pelas 21h deste domingo. Ouviu-se um "shiuuu" na plateia e, em vez de aplausos, os primeiros acordes do concerto de Sigur Rós foram recebidos com um silêncio espacial. Era Blóðberg, o single de Átta, o disco mais recente da banda islandesa, lançado em 2023. Um crescendo lento das cordas da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, magicamente orquestrado pelo maestro e compositor britânico Robert Ames, ia sendo preenchido, espaçadamente, pela voz etérea do vocalista Jónsi Birgisson — ficou logo claro que, com Sigur Rós, quase nada acontece de repente.
 Catarina Pinho (texto)

domingo, 9 de agosto de 2026

 

Todos para a piscina do Areinho: “Ver a canalha tão feliz já vale a pena” 

 A mais recente atracção estival de Oliveira do Douro tem sido um sucesso. Câmara de Gaia inaugura este sábado outra piscina do género em Avintes. Todos para a piscina do Areinho: “Ver a canalha tão feliz já vale a pena” Não leu no jornal nem viu na televisão, muito menos na Internet. Há uns dias, Manuel Silva Pereira passou na Ponte do Freixo e viu “qualquer coisa” a reluzir lá em baixo, na praia do Areinho, na freguesia de Oliveira do Douro, Gaia. “Depois percebi o que era”, conta ao PÚBLICO na tarde de quarta-feira, enquanto espera na fila para poder entrar na piscina que há duas semanas (abriu a 23 de Julho) pôs a praia fluvial do Areinho nas bocas do mundo. É a mais recente e a maior atracção estival da freguesia com frente de rio e nos últimos dias tem arrastado multidões. Para este sábado, está marcada a inauguração de outra piscina do género, desta vez no areal de Avintes.
Sandra Costa (Texto)

quinta-feira, 30 de julho de 2026

 

Alice Neel, uma “coleccionadora de almas” em Serralves 

 Beautifully Imperfect, em Serralves até Janeiro de 2027, presta tributo à artista norte-americana, que deu visibilidade a corpos marginalizados e pintou as lutas e transformações do século Poderíamos começar pela mãe exausta, internada numa ala psiquiátrica com várias outras mulheres cansadas, desesperadas, sem chão. Ou pelo retrato inacabado do jovem afro-americano, forçado a colocar toda a sua vida em pausa, quem sabe ad aeternum, para combater numa guerra que não pediu, a do Vietname. Mas comecemos pelo início, comecemos pelo auto-retrato. É a primeira obra que vemos ao entrarmos na Ala Siza do Museu de Serralves, no Porto: Alice Neel aos 80 anos, nua, sentada numa cadeira azul e branca com um pincel numa mão e um pano na outra. O olhar, sério e fixado em nós, os visitantes, não parece denunciar timidez ou desconforto. Este não é o suposto corpo ideal que a televisão, a publicidade, as redes sociais e os nossos intolerantes padrões de beleza propagandeiam. É, tão-somente, um corpo real, que transporta consigo uma biografia intensa e uma sensibilidade única.
 Daniel Dias (texto)


 

 

Começa a contagem decrescente: já se acampa em Paredes de Coura A pouco mais de duas semanas do arranque de mais uma edição de um dos mais importantes festivais de música portugueses, o público começa a montar as suas tendas e a desfrutar das águas do rio Taboão.