Nasci em Paços de Ferreira em 1976. Estudei na ESAP. Comecei a trabalhar no “Janeiro”, até mudar para o 24 Horas, onde permaneci cinco longos anos. Desde de 2009 que trabalho como freelancer. Colaboro com a 1\2 Formato, Nfactos, Sol e i.
O Pimenta lançou-me o desafio de escolher algumas imagens para o Fotopress.
Decidi centrar a escolha em imagens feitas na minha condição de tarefeiro. Algumas publicadas, outras nem por isso. São simplesmente imagens que me dizem alguma coisa...
A miragem das férias, os navios dos Estaleiros de Viana, a geração mais ou menos indignada, o trabalho, a sombra de um partido, o público de um desfile de moda, a euforia de uma claque e a missa de Sábado à noite.
Protestar
Protestar é uma chatice. Obriga a deixar o sofá, a ir para a rua, mesmo que chova. Às vezes, a abrir a boca e gritar, outras a sentar-se no chão em frente a uma barreira de polícias ou à frente de um camião. E protestar não é só uma chatice para quem protesta. Também o é para quem é alvo do protesto e que é obrigado, nem que não queira, a ouvir berrar o que não gosta. Também o é para a polícia, enviada para manter a ordem, mesmo que a desordem (às vezes) seja potenciada apenas porque a polícia lá está. E até para quem não tem, ou julga não ter, nada a ver com aquilo e é apanhado no meio do turbilhão.
Protestar é uma chatice. Dá trabalho, obriga, às vezes, a acordar antes de o sol nascer, a dormir apenas quando ele já está quase a chegar. A lidar com os exageros de quem nem sabe muito bem porque está ali, mas que não tem dúvidas sobre a melhor forma de aparecer na televisão e, às vezes, quase deita tudo a perder.
Protestar é uma chatice? É. Às vezes, é. Mas não quero estar cá para ver o dia em que não haja quem acredite que ainda vale a pena protestar.
Patrícia Carvalho
- Já estamos atrasados,
diz ele quando ainda faltam duas, três, quatro, cinco horas para o que quer que só vai acontecer se nós estivermos lá (porque, mais do que ver acontecer, eles, os fotojornalistas, fazem acontecer). E então ele vai à frente, as coisas de facto acontecem, e de facto nós chegamos atrasados. Nisso de ir à frente, de chegar sempre antes (demasiado antes, para quem tem de ir com ele), ninguém é o Paulo Pimenta a não ser o próprio Paulo Pimenta. Ele lá sabe: depois vê coisas que mais ninguém vê, e azar o nosso. A partir de agora, essas coisas estão aqui: as coisas que ele faz quando anda a trabalhar antes dos outros, tipo diário do fotojornalista que fotografava de mais. O que é dele é nosso, e também é dos outros: uma vez por mês, outro fotojornalista virá aqui mostrar o que viu na rua. Vamos a isso, Pimenta. Já estamos atrasados.
Inês Nadaís
Jornalista do Jornal Público